Conjuntos e Funções — 1.º ano do Bacharelado, Ciências Matemáticas
Curso interativo em português sobre conjuntos e funções: notação, operações, demonstrações, imagens e pré-imagens, injetividade, sobrejetividade, bijetividade e composição.
mohamed Lagzouli
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Matemática • 1.º ano do Bacharelado, Ciências Matemáticas
Conjuntos e Funções
Bem-vindo a este curso interativo sobre conjuntos e funções.
Na primeira parte, vai aprender a descrever, comparar e trabalhar com conjuntos.
Na segunda parte, vai descobrir como uma função associa a cada elemento de um conjunto um elemento de outro conjunto, e depois as noções de injetividade, sobrejetividade, bijetividade e composição.
O objetivo não é apenas conhecer as definições: vai observar, experimentar, raciocinar, resolver problemas e verificar a sua compreensão passo a passo.
Objetivos do curso
No final desta lição, deverá ser capaz de:
- usar corretamente \( \in \), \( \notin \) e \( \subset \);
- escrever um conjunto por extensão ou por compreensão;
- comparar dois conjuntos;
- determinar o conjunto das partes de um conjunto;
- calcular uma interseção e uma união;
- usar o complementar e a diferença;
- compreender o produto cartesiano;
- demonstrar uma inclusão ou uma igualdade de conjuntos;
- reconhecer uma função;
- identificar o conjunto de partida e o conjunto de chegada;
- determinar imagens e pré-imagens;
- determinar uma imagem direta ou uma imagem inversa;
- compreender a restrição e o prolongamento;
- estudar a injetividade e a sobrejetividade;
- reconhecer uma bijeção;
- determinar a função inversa de uma bijeção;
- compor duas funções.
Pré-requisitos
Antes de começar, convém conhecer os conjuntos numéricos habituais:
Vai também utilizar os conectivos lógicos:
- «e»;
- «ou»;
- «não»;
- a implicação.
Diagnóstico rápido
Este diagnóstico não é avaliado. Serve apenas para lhe indicar quais as ideias que merecem uma revisão.
Pergunta 1
Verdadeiro ou falso?
Ver a resposta
Pergunta 2
Considere:
Qual das afirmações está correta?
- \(2\in E\)
- \(2\subset E\)
Ver a resposta
Pergunta 3
Verdadeiro ou falso?
Ver a resposta
Pergunta 4
Seja:
Qual é a imagem de \(3\)?
Ver a resposta
Pergunta 5
Se:
então \(2\) é:
- a imagem de \(5\)
- uma pré-imagem de \(5\)
Ver a resposta
Pergunta 6
Sabemos que:
Podemos já suspeitar que \(f\) não é injetiva?
Ver a resposta
Leitura do seu diagnóstico
Um excelente começo. Pode avançar diretamente.
Um bom começo. Algumas ideias serão consolidadas ao longo do curso.
Algumas bases precisam de ser reforçadas. Dedique tempo às revisões e aos exemplos.
Pré-visualização gratuita
Descubra algumas ideias-chave antes de começar o curso completo.
Atividade 1 — Pertence ou está contido?
Considere:
\(3\in E\)
Verdadeiro\(\{3\}\subset E\)
Verdadeiro\(3\subset E\)
Falso\(\{3\}\in E\)
Falso\(\varnothing\subset E\)
Verdadeiro\(x\in E\) diz respeito a um elemento.
\(A\subset E\) diz respeito a um conjunto.
Atividade 2 — União e interseção
Considere:
Os elementos comuns aos dois conjuntos são:
Os elementos que pertencem a pelo menos um dos dois conjuntos são:
Atividade 3 — Um primeiro exemplo de função
Considere:
Pergunta 1
Qual é a imagem de \(2\)?
Ver a resposta
Pergunta 2
Qual é uma pré-imagem de \(6\)?
Ver a resposta
Pergunta 3
O número \(8\) tem alguma pré-imagem em \(\{1,2,3\}\) por esta função?
Ver a resposta
Acabou de conhecer três ideias-chave deste capítulo. O curso completo vai ajudá-lo a compreender estes conceitos, aplicá-los e demonstrar as propriedades associadas.
Continuar a liçãoCurso essencial
Este capítulo tem duas partes principais: conjuntos e depois funções.
Parte A — Conjuntos
A1 — Conjunto, elemento e notação
Um conjunto é uma coleção de objetos chamados os seus elementos.
Exemplo:
Escrevemos:
e:
O conjunto vazio
O conjunto sem nenhum elemento escreve-se:
Atenção:
\(\varnothing\) não tem elementos, enquanto \(\{\varnothing\}\) tem um elemento.
Conjunto singular
é um conjunto singular.
Par
é um par.
A2 — Definição por extensão e por compreensão
Por extensão
Os elementos são enumerados explicitamente.
Por compreensão
Os elementos são descritos por uma propriedade.
Uma mesma coleção pode, portanto, ser descrita de várias maneiras.
A3 — Inclusão
Dizemos que \(A\) está contido em \(B\) se todo o elemento de \(A\) pertence a \(B\).
significa:
Exemplo:
Então:
Propriedades
A4 — Igualdade de dois conjuntos
Dois conjuntos são iguais quando têm exatamente os mesmos elementos.
Um método fundamental consiste em estabelecer duas inclusões:
e depois:
Concluímos então:
A5 — O conjunto das partes
O conjunto de todos os subconjuntos de \(E\) escreve-se:
Exemplo:
Então:
A6 — Interseção
A interseção de \(A\) e \(B\) contém os elementos que pertencem simultaneamente aos dois conjuntos.
Exemplo:
A7 — União
A união de \(A\) e \(B\) contém os elementos que pertencem a \(A\) ou a \(B\).
Com:
obtemos:
A8 — Complementar
Seja \(A\subset E\). O complementar de \(A\) em \(E\) contém os elementos de \(E\) que não pertencem a \(A\).
A9 — Diferença
A diferença \(A\setminus B\) contém os elementos que pertencem a \(A\) mas não a \(B\).
A10 — Diferença simétrica
Esta noção pode ser estudada como extensão.
Também podemos escrever:
A11 — Propriedades da interseção e da união
Comutatividade
Associatividade
Distributividade
A12 — Leis de De Morgan
A13 — Produto cartesiano
O produto cartesiano de \(A\) e \(B\) é o conjunto dos pares ordenados \((x,y)\) tais que \(x\in A\) e \(y\in B\).
Exemplo:
A14 — Raciocinar com conjuntos
Para demonstrar uma propriedade sobre conjuntos, traduzimos frequentemente a pertença em proposições lógicas.
Por exemplo:
significa:
o que é equivalente a:
Portanto:
Parte B — Funções
B1 — A ideia de função
Sejam \(E\) e \(F\) dois conjuntos não vazios.
Uma função de \(E\) em \(F\) associa a cada elemento de \(E\) exatamente um elemento de \(F\).
Neste curso, «função» significa sempre isto: todo o elemento do conjunto de partida tem uma e uma só imagem. Alguns manuais chamam-lhe aplicação; as duas palavras significam aqui o mesmo.
- \(E\): o conjunto de partida;
- \(F\): o conjunto de chegada;
- \(f(x)\): a imagem de \(x\).
B2 — Imagem e pré-imagem
Se:
então \(y\) é a imagem de \(x\), e \(x\) é uma pré-imagem de \(y\).
Um elemento do conjunto de chegada pode ter:
- nenhuma pré-imagem;
- uma pré-imagem;
- várias pré-imagens.
B3 — Igualdade de duas funções
Duas funções são iguais quando têm:
- o mesmo conjunto de partida;
- o mesmo conjunto de chegada;
- a mesma imagem para todo o elemento do conjunto de partida.
B4 — Imagem direta de um subconjunto
Sejam:
e:
A imagem direta de \(A\) é:
Exemplo:
Então:
B5 — Imagem inversa de um subconjunto
Para \(B\subset F\), define-se:
Exemplo:
Então:
Atenção: aqui \(f^{-1}(B)\) designa a imagem inversa de um subconjunto.
Isso não significa necessariamente que \(f\) tenha uma função inversa.
B6 — Restrição
Uma função pode ser limitada a um subconjunto do seu conjunto de partida.
Por exemplo:
Podemos considerar a restrição de \(f\) a:
Leitura da notação de intervalo: um parêntese reto voltado para dentro inclui o extremo, voltado para fora exclui-o. Assim, \([0,+\infty[\) contém \(0\) e todos os números maiores do que \(0\). Esta é a notação usada no currículo marroquino; alguns manuais lusófonos escrevem o mesmo conjunto de outra forma.
B7 — Prolongamento
Um prolongamento consiste em estender uma função a um conjunto maior, mantendo os seus valores no conjunto onde já estava definida.
Uma restrição é determinada de forma única, ao passo que uma função admite geralmente vários prolongamentos.
B8 — Injetividade
Uma função \(f:E\to F\) é injetiva se todo o elemento de \(F\) tem no máximo uma pré-imagem.
Exemplo:
Se:
então:
logo:
A função é, portanto, injetiva.
B9 — Sobrejetividade
Uma função \(f:E\to F\) é sobrejetiva se todo o elemento de \(F\) tem pelo menos uma pré-imagem.
B10 — Bijetividade
Uma função é bijetiva quando todo o elemento do conjunto de chegada tem exatamente uma pré-imagem.
B11 — Função inversa
Se:
é bijetiva, admite uma função inversa:
porque:
B12 — Composição de funções
Sejam:
e:
A composta de \(f\) seguida de \(g\) é:
com:
Em geral:
A composição de funções não é, portanto, geralmente comutativa.
B13 — Inversa e composição
Se \(f:E\to F\) é bijetiva, então:
e:
Exemplos resolvidos
Observe o método antes de tentar sozinho. Use as pistas apenas se precisar.
Exemplo 1 — Da compreensão à extensão
Escreva por extensão:
Pista 1
Procure todos os números inteiros entre \(-2\) e \(3\).
Resolução
Ponto-chave: a compreensão dá uma condição; a extensão enumera os elementos.
Exemplo 2 — Demonstrar uma igualdade de conjuntos
Para demonstrar:
um método muito importante consiste em demonstrar sucessivamente:
e depois:
Podemos então concluir:
Ponto-chave: este método chama-se dupla inclusão.
Exemplo 3 — Interseção e união de intervalos
Sejam:
Determine \(A\cap B\) e \(A\cup B\).
Pista
Para a interseção, guarde os números reais que pertencem simultaneamente aos dois intervalos.
Resolução
Exemplo 4 — Usar uma das leis de De Morgan
Complete:
Resolução
Exemplo 5 — Imagem e pré-imagem
Seja:
Determine a imagem de \(3\).
Resolução
Assim, \(7\) é a imagem de \(3\), e \(3\) é uma pré-imagem de \(7\).
Exemplo 6 — Imagem inversa
Seja:
Determine:
Pista 1
Resolva:
Resolução
Portanto:
Exemplo 7 — Testar a injetividade
Seja:
Observamos:
mas:
Logo, dois elementos distintos têm a mesma imagem.
O que acontece se restringirmos \(f\) a \([0,+\infty[\)?
Exemplo 8 — Composição
Sejam:
Então:
enquanto:
Portanto:
Exercícios interativos
Avance das verificações elementares até exercícios que exigem raciocínio verdadeiro. Procure cada resposta sozinho antes de a revelar.
Nível 1 — Consolidação
Verificação rápida — Operações sobre conjuntos
Quatro verificações para fazer de cabeça. Se alguma resistir, volte à Parte A do Curso essencial antes de continuar.
Sejam:
a) Determine \(A\cap B\).
Ver a resposta
Todo o elemento de \(A\) pertence a \(B\), logo \(A\subset B\).
b) Determine \(A\cup B\).
Ver a resposta
Pela mesma razão: \(A\subset B\).
c) Determine \(\mathcal{P}(E)\).
Ver a resposta
Quatro subconjuntos, como se esperava de \(2^2\).
d) Determine o complementar de \(]-\infty,0]\) em \(\mathbb{R}\).
Ver a resposta
O extremo \(0\) pertencia ao conjunto, logo não pertence ao complementar.
Exercício 1 — Imagens e pré-imagens de uma função afim
Considere a função:
a) Calcule \(f(2)\), \(f(0)\) e \(f(-1)\).
Ver a resposta
b) Determine a pré-imagem de \(8\) por \(f\), e depois a de \(0\).
Ver a pista
Uma pré-imagem de \(8\) é um número real \(x\) que verifica \(f(x)=8\). Escreva a equação e resolva-a.
Ver a resposta
A pré-imagem de \(8\) é \(2\).
Observação: \(f(2)=8\) e a pré-imagem de \(8\) é \(2\). Imagem e pré-imagem são duas leituras opostas da mesma igualdade.
c) Mostre que todo o número real \(y\) tem uma única pré-imagem por \(f\).
Ver a pista
Parta de \(f(x)=y\) e exprima \(x\) em função de \(y\). Quantas soluções obtém?
Ver a resposta
Seja \(y\in\mathbb{R}\).
Esta equação tem uma solução e uma só. Todo o número real tem, portanto, exatamente uma pré-imagem por \(f\).
Nível 2 — Domínio
Exercício 2 — Imagem direta, imagem inversa e bijeção
O que já estabeleceu. No Exercício 1 mostrou que, para \(f:\mathbb{R}\to\mathbb{R}\), \(f(x)=3x+2\), todo o número real \(y\) tem uma única pré-imagem, a saber \(x=\dfrac{y-2}{3}\). Vamos agora apoiar-nos nesse resultado.
a) Determine a imagem direta \(f([0;2])\).
Ver a pista
\(f\) é afim com coeficiente \(3>0\), logo crescente: a imagem de um segmento lê-se nos seus extremos.
Ver a resposta
\(f\) é crescente em \(\mathbb{R}\), logo:
b) Determine a imagem inversa \(f^{-1}(]-1;5])\).
Ver a pista
Traduza \(x\in f^{-1}(]-1;5])\) pela dupla desigualdade \(-1<f(x)\leqslant 5\), e depois isole \(x\).
Ver a resposta
Os extremos abertos e fechados transpõem-se pela mesma ordem, porque \(f\) é crescente. Com uma função decrescente ficariam trocados.
c) Usando o resultado do Exercício 1 c), mostre que \(f\) é bijetiva e escreva \(f^{-1}\) explicitamente.
Ver a pista
A unicidade da pré-imagem dá a injetividade; a sua existência dá a sobrejetividade.
Ver a resposta
O Exercício 1 c) estabelece que todo o \(y\in\mathbb{R}\) tem uma pré-imagem — logo \(f\) é sobrejetiva — e uma só — logo \(f\) é injetiva. Por consequência, \(f\) é bijetiva, e:
Verificação: \(f^{-1}(8)=\dfrac{6}{3}=2\), e \(f(2)=8\).
Exercício 3 — Imagens diretas e inversas de \(x\mapsto x^2\)
Considere a função:
a) Resolva a inequação \(1\leqslant x^2\leqslant 4\) em \(\mathbb{R}\).
Ver a pista
\(1\leqslant x^2\leqslant 4\) é equivalente a \(1\leqslant |x|\leqslant 2\).
Ver a resposta
b) Deduza \(f^{-1}([1;4])\).
Ver a resposta
Por definição, \(f^{-1}([1;4])=\{x\in\mathbb{R}\mid 1\leqslant f(x)\leqslant 4\}\), logo:
A imagem inversa de um intervalo não é necessariamente um intervalo: aqui é a união de dois segmentos.
c) Determine \(f^{-1}([-4;-1])\).
Ver a pista
Qual é o sinal de \(x^2\) para um número real \(x\) qualquer?
Ver a resposta
Para todo o número real \(x\), \(x^2\geqslant 0\). Nenhum número real tem a sua imagem em \([-4;-1]\):
A imagem inversa de um conjunto não vazio pode ser vazia. Aqui a notação \(f^{-1}\) designa a imagem inversa de um subconjunto, não uma função inversa: \(f\) não é bijetiva.
d) Determine a imagem direta \(f([-2;1])\).
Ver a pista
\(f\) não é monótona em \([-2;1]\). Onde é atingido o mínimo?
Ver a resposta
Em \([-2;1]\), \(f\) decresce em \([-2;0]\) e depois cresce em \([0;1]\). O mínimo é \(f(0)=0\); nos extremos, \(f(-2)=4\) e \(f(1)=1\), logo o máximo é \(4\).
Responder \([1;4]\) é o erro clássico: ler a imagem apenas nos extremos só é válido para uma função monótona.
Exercício 4 — Injetividade, sobrejetividade, restrição
a) Seja \(f:\mathbb{R}\to\mathbb{R}\), \(f(x)=2x+1\). \(f\) é injetiva? Justifique.
Ver a pista
Parta de \(f(x)=f(x')\) e conclua sobre \(x\) e \(x'\).
Ver a resposta
Sejam \(x,x'\in\mathbb{R}\):
\(f\) é injetiva.
b) \(f\) é sobrejetiva? Deduza que é bijetiva.
Ver a resposta
Seja \(y\in\mathbb{R}\). A equação \(2x+1=y\) tem a solução \(x=\dfrac{y-1}{2}\), que é um número real. Todo o elemento do conjunto de chegada \(\mathbb{R}\) tem uma pré-imagem: \(f\) é sobrejetiva.
Injetiva e sobrejetiva, \(f\) é bijetiva, com inversa:
c) Seja \(g:\mathbb{R}\to\mathbb{R}\), \(g(x)=x^2\). \(g\) é injetiva? sobrejetiva?
Ver a pista
Para a injetividade, procure dois números reais distintos com a mesma imagem. Para a sobrejetividade, procure um número real sem pré-imagem.
Ver a resposta
Não é injetiva: \(g(-1)=g(1)=1\) embora \(-1\neq 1\).
Não é sobrejetiva: \(-1\) não tem pré-imagem, pois \(x^2\geqslant 0\) para todo o número real \(x\).
d) Considere as duas funções:
Estude a injetividade e a sobrejetividade de \(g_1\), e depois de \(g_2\). Conclua para cada uma.
Ver a pista
\(g_1\) e \(g_2\) têm o mesmo conjunto de partida \([0;+\infty[\) e a mesma fórmula; só o seu conjunto de chegada difere. Examine separadamente o que isso muda para a injetividade, e depois para a sobrejetividade.
Ver a resposta
Injetividade — depende apenas do conjunto de partida, que é o mesmo para \(g_1\) e \(g_2\). Sejam \(x,x'\in[0;+\infty[\):
\(g_1\) e \(g_2\) são, portanto, ambas injetivas.
Sobrejetividade — depende do conjunto de chegada, que é precisamente o que as distingue.
- \(g_1:[0;+\infty[\to\mathbb{R}\) — o número real \(-1\) pertence ao conjunto de chegada \(\mathbb{R}\) e não tem pré-imagem em \([0;+\infty[\). \(g_1\) não é sobrejetiva, logo não é bijetiva.
- \(g_2:[0;+\infty[\to[0;+\infty[\) — para todo o \(y\geqslant 0\), o número real \(x=\sqrt{y}\) pertence a \([0;+\infty[\) e verifica \(g_2(x)=y\). \(g_2\) é sobrejetiva, logo bijetiva, com inversa:
Método-chave. \(g_1\) e \(g_2\) têm a mesma fórmula e o mesmo conjunto de partida: diferem apenas no conjunto de chegada, e no entanto uma é bijetiva e a outra não.
A injetividade lê-se no conjunto de partida: restringi-lo pode fazê-la aparecer, como aqui ao passar de \(\mathbb{R}\) a \([0;+\infty[\).
A sobrejetividade, por seu lado, é sempre julgada face ao conjunto de chegada escolhido. Se alguns elementos do conjunto de chegada não têm pré-imagem, restringir o conjunto de partida não torna a função sobrejetiva. Pode então escolher-se a imagem da função como conjunto de chegada.
Daí a regra de escrita: uma conclusão sobre a bijetividade deve sempre nomear os dois conjuntos. Escrever «\(x\mapsto x^2\) é bijetiva em \([0;+\infty[\)» é incompleto; escrever «\(g_2:[0;+\infty[\to[0;+\infty[\) é bijetiva» é exato.
Nível 3 — Raciocínio
Exercício 5 — Lei de De Morgan por dupla inclusão
Sejam \(A\) e \(B\) dois subconjuntos de um conjunto \(E\). Queremos estabelecer:
a) Seja \(x\in\overline{A\cap B}\). Traduza esta pertença usando «não», «e», «ou».
Ver a pista
\(x\in\overline{A\cap B}\) significa \(x\notin A\cap B\), isto é, a negação de «\(x\in A\) e \(x\in B\)».
Ver a resposta
Seja \(x\in E\).
A negação de uma conjunção é a disjunção das negações:
b) Deduza a inclusão \(\overline{A\cap B}\subset\overline{A}\cup\overline{B}\).
Ver a resposta
«\(x\notin A\) ou \(x\notin B\)» significa \(x\in\overline{A}\) ou \(x\in\overline{B}\), isto é, \(x\in\overline{A}\cup\overline{B}\). Logo:
c) Demonstre a inclusão recíproca.
Ver a pista
Percorra o raciocínio de a) no sentido inverso: cada passo é uma equivalência.
Ver a resposta
Seja \(x\in\overline{A}\cup\overline{B}\). Então \(x\notin A\) ou \(x\notin B\); logo é falso que \(x\) pertença simultaneamente a \(A\) e a \(B\). Assim \(x\notin A\cap B\), isto é, \(x\in\overline{A\cap B}\). Portanto:
d) Conclua.
Ver a resposta
As duas inclusões dão a igualdade:
Cada passo de a) é uma equivalência: poderíamos ter concluído de uma só vez. A dupla inclusão impõe-se porque continua válida quando as implicações não podem ser invertidas — é esse o método a dominar.
Exercício 6 — Composição e caracterização
Sejam duas funções:
a) Mostre que, se \(f\) e \(g\) são injetivas, então \(g\circ f\) é injetiva.
Ver a pista
Parta de \((g\circ f)(x)=(g\circ f)(x')\) e use primeiro a injetividade de \(g\).
Ver a resposta
Sejam \(x,x'\in E\) tais que \((g\circ f)(x)=(g\circ f)(x')\), isto é, \(g(f(x))=g(f(x'))\).
Como \(g\) é injetiva: \(f(x)=f(x')\).
Como \(f\) é injetiva: \(x=x'\).
Logo \(g\circ f\) é injetiva.
b) Mostre que, se \(f\) e \(g\) são sobrejetivas, então \(g\circ f\) é sobrejetiva.
Ver a pista
Parta de um elemento \(z\in G\) e recue: primeiro por \(g\), depois por \(f\).
Ver a resposta
Seja \(z\in G\).
Como \(g\) é sobrejetiva, existe \(y\in F\) tal que \(g(y)=z\).
Como \(f\) é sobrejetiva, existe \(x\in E\) tal que \(f(x)=y\).
Logo \(g\circ f\) é sobrejetiva.
c) Deduza o caso em que \(f\) e \(g\) são bijetivas.
Ver a resposta
Se \(f\) e \(g\) são bijetivas, são injetivas e sobrejetivas. Por a) e b), \(g\circ f\) é injetiva e sobrejetiva, logo bijetiva.
A ordem em que as hipóteses são usadas difere: «descemos» por \(g\) e depois \(f\) para a injetividade, e «recuamos» por \(g\) e depois \(f\) para a sobrejetividade.
Exercício 7 — Função inversa (extensão)
Seja \(f:E\to F\) uma função bijetiva, de inversa \(f^{-1}:F\to E\).
a) Mostre que \(f^{-1}\circ f=Id_E\).
Ver a pista
Para \(x\in E\), ponha \(y=f(x)\) e volte à definição de \(f^{-1}(y)\).
Ver a resposta
Seja \(x\in E\); ponha \(y=f(x)\).
Por definição, \(f^{-1}(y)\) é a única pré-imagem de \(y\) por \(f\). Ora \(x\) é uma pré-imagem de \(y\). Pela unicidade, \(f^{-1}(y)=x\), logo:
Sendo isto válido para todo o \(x\in E\): \(f^{-1}\circ f=Id_E\).
b) Mostre que \(f\circ f^{-1}=Id_F\).
Ver a pista
Para \(y\in F\), ponha \(x=f^{-1}(y)\) e aplique \(f\).
Ver a resposta
Seja \(y\in F\); ponha \(x=f^{-1}(y)\). Por definição da inversa, \(x\) é a pré-imagem de \(y\), logo \(f(x)=y\), isto é:
Sendo isto válido para todo o \(y\in F\): \(f\circ f^{-1}=Id_F\).
As duas compostas não são a mesma função: uma é a identidade de \(E\), a outra a de \(F\). A distinção torna-se evidente assim que \(E\neq F\).
Questionário final
Verifique agora o seu domínio dos conjuntos e das funções.
Pergunta 1
Seja:
Qual das afirmações está correta?
- \(2\subset E\)
- \(2\in E\)
Ver a resolução
Resposta: B.
Pergunta 2
Verdadeiro ou falso?
Ver a resolução
Resposta: Verdadeiro.
Pergunta 3
Sejam:
Determine:
Ver a resolução
\[ A\cap B=\{2,3\} \]
Pergunta 4
Para os mesmos conjuntos, determine:
Ver a resolução
\[ A\cup B=\{1,2,3,4\} \]
Pergunta 5
Seja:
Quantos elementos tem \(\mathcal{P}(E)\)?
Ver a resolução
Resposta: \(4\).
Pergunta 6
Complete:
Ver a resolução
\[ \overline{A\cup B} = \overline A\cap\overline B \]
Pergunta 7
Se:
então \(7\) é:
- a imagem de \(3\)
- uma pré-imagem de \(3\)
Ver a resolução
Resposta: A.
Pergunta 8
Se dois elementos diferentes têm a mesma imagem, a função pode ser injetiva?
Ver a resolução
Resposta: Não.
Pergunta 9
Uma função sobrejetiva verifica:
- todo o elemento do conjunto de chegada tem pelo menos uma pré-imagem;
- todo o elemento do conjunto de partida tem duas imagens;
- nenhuma imagem pode repetir-se.
Ver a resolução
Resposta: A.
Pergunta 10
Uma função bijetiva é:
- apenas injetiva;
- apenas sobrejetiva;
- injetiva e sobrejetiva.
Ver a resolução
Resposta: C.
Pergunta 11
Sejam:
Calcule:
Temos:
e depois:
Ver a resolução
Resposta: \(9\).
Pergunta 12 — Raciocínio
Seja:
Porque é que \(f\) não é injetiva?
Ver a resolução
Porque dois elementos distintos podem ter a mesma imagem. Por exemplo:
com:
O seu relatório de domínio
O resultado final não deve reduzir-se a uma única nota global. O curso distingue as seguintes competências:
- Notação e inclusão
- Operações sobre conjuntos
- Demonstrações com conjuntos
- Imagens e pré-imagens
- Imagem direta e imagem inversa
- Injetividade
- Sobrejetividade
- Bijetividade
- Composição